O consumidor mais atento já sentiu no bolso: o álcool está mais caro nas bombas dos postos de combustível de Pernambuco. A alta é de 2,2% nas últimas quatro semanas. O litro que custava, em média, R$ 1,69 no final do mês passado, passou para R$ 1,73 sexta-feira passada, tendo picos nesse tempo - chegou a até R$ 1,84. Crise econômica, chuvas nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, valorização do açúcar no mercado internacional e mais carros com tecnologia flex nas ruas devido a redução no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) são alguns dos fatores para o encarecimento do produto em outubro. Ainda assim, continua sendo mais vantajoso abastecer o veículo com álcool do que com gasolina.
De acordo com o Sindicato Varejista dos Derivados de Petróleo no Estado de Pernambuco (Sindicombustíveis-PE), o valor do álcool deverá girar em torno de R$ 1,74 nos próximas dias. Já o preço da gasolina está na iminência de sofrer um reajuste. Isso porque as distribuidoras aplicaram na semana passada um aumento de cerca de R$ 0,10 aos revendedores. A estimativa do presidente da entidade, José Afonso Nóbrega, é de que o litro do combustível possa chegar a R$ 2,69 (hoje está entre R$ 2,57 e R$ 2,59). Essa elevação ocorre também pelo etanol mais caro, pois 25% da composição da gasolina é de álcool do tipo anidro.
A alta nesta época é atípica. Geralmente, o Estado amargava um preço de álcool maior na entressafra de cana-de-açúcar, que ocorre entre março e agosto. A partir de setembro, quando começava a moagem nas usinas locais, o valor sofria uma queda. Com a falta de demanda fora do País, o setor sucroalcooleiro brasileiro direcionou a grande parte das vendas de etanol para o mercado interno, evitando a escassez no produto, o que deixou o preço estável em todo o território nacional durante o ano.
A frota de veículos, entretanto, aumentou bastante com as grandes vendas provocadas pelo benefício fiscal concedido à indústria automotiva desde o final de 2008, o que influiu na demanda por álcool, pois a esmagadora maioria dos carros novos saem de fábrica com tecnologia flex. Em meio a esse cenário, seis usinas pernambucanas e alagoanas atrasaram suas moagens por falta de capital de giro (outro reflexo da crise econômica). Ainda que o Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar) garanta que há oferta regular de álcool no Nordeste, as distribuidoras foram buscar o produto no Centro-Sul.
Esse, por sua vez, teve sua colheita afetada por fortes chuvas que caíram em setembro. As precipitações, além de atrapalhar o corte da cana e o seu transporte, reduzem o rendimento do produto, menciona o presidente do Sindaçúcar, Renato Cunha. Some-se a isso, o fato do açúcar estar experimentando um ótimo momento no mercado internacional, o que fez muitas usinas substituírem a produção de etanol pela do alimento.
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