
Discursando para dezenas de trabalhadores que atuam na construção do canal de aproximação do Eixo Leste da transposição do Rio São Francisco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva arrancou aplausos ao dizer que foi preciso ter um presidente nordestino para tocar a obra. Para Lula, os críticos do projeto da integração das bacias do São Francisco (leia-se: a oposição) falam mal do projeto porque não tiveram coragem de fazer o mesmo. "Vocês deviam imaginar o que é enfrentar pessoas quem não têm dimensão do que é o Nordeste, que não sabem o que é a seca, que não sabem o que é ver uma mãe pegar um filho com uma lata d’água na cabeça e andar seis quilômetros. É preciso ter vivido aqui pra ter clareza do que é a seca do Nordeste", enfatizou.
O governador Eduardo Campos endossou o discurso. "Fácil é botar defeito. Fácil é – como diz o presidente - quem de manhã bem cedo tem água gelada na geladeira, tem luz em casa e salário em dia ficar botando defeito nessa obra. Difícil é pegar no serviço como vocês (operários) pegam de manhã bem cedo. Aí ficam com dor de cotovelo porque jogaram a chance deles fora", cutucou.
Acompanhado dos presidenciáveis Dilma Rousseff (ministra da Casa Civil) e Ciro Gomes (deputado federal), Lula visitou o mirante, de onde é possível visualizar os canais que levarão as águas em construção e, ao fundo, o São Francisco. Tudo fica no Lote 9, às margens da BR-316, em Floresta, no Sertão do estado.
Em seguida, Lula foi ao canteiro de obras para saudar os trabalhadores. Ainda em seu discurso, o presidente não deixou de lembrar os responsáveis pelo andamento do projeto: o vice-presidente José Alencar, Ciro Gomes, o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, e o mestre de obras João Santana. A referência à ministra Dilma só veio depois, na hora da apresentação das autoridades presentes.
Como de costume, Lula falou de sua infância pobre em Garanhuns, a fim de gerar uma identificação com os trabalhadores sertanejos. "Tenho obrigação moral e política que as futuras gerações não terão que passar pelo o que eu passei e pelo o que vocês passaram", afirmou.
Lula ressaltou, ainda, que o governo federal vai continuar investindo em grandes obras no Nordeste, para promover a igualdade econômica e social entre os estados brasileiros, e que o projeto da transposição ficará pronto entre 2011 e 2012. "Estamos fazendo esse projeto com a convicção de que é o dinheiro mais bem empregado nosso, porque vamos fazer com que as pessoas tenham água para beber", frisou.
Depois da apresentação, Lula seguiu para um almoço com as autoridades presentes, no próprio canteiro de obras. Em seguida, conversou com a imprensa, antes de seguir para Cabrobó, onde dará seguimento à agenda presidencial de visita às obras da transposição.
Por Ana Cláudia Dolores, do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR, direto de Floresta
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