quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Paraíso rural de Al Capone vai a leilão


O mafioso Al Capone ficou rico com o tráfico de bebidas durante os anos da lei seca nos EUA. Virou mito após sua morte e sua vida inspirou filmes.


O local teria sido utilizado para contrabando de álcool nos anos da lei seca

A crise econômica não respeita nem o legado da máfia, sequer de Al Capone, cujo antigo refúgio, a fortaleza na área rural Wisconsin, irá a leilão diante da impossibilidade do atual dono de pagar a hipoteca.

Próxima da fronteira canadense, a propriedade será vendida pelo melhor lance em um pregão que começará nesta quinta-feira (8) com um preço de saída estipulado em US$ 2,6 milhões e será realizado no condado de Sawyer, ao norte do estado. Um caro souvenir para os apaixonados pelo mundo da malandragem construído por ordem do conhecido gângster, em 1925.

Especula-se que o local teria sido utilizado para o contrabando de álcool nos anos da lei seca. Embora não se tenha certeza de que Al Capone pisou nesta casa de campo alguma vez, uma das várias guaridas longe dos núcleos urbanos, existe evidência que o mafioso planejou a construção.

Os dois andares levantados com muros de pedra de quase 30 centímetros de largura escondem um confortável interior com uma grande chaminé no centro e várias escadas que conduzem a um apartamento superior que possui uma torre de observação. Uma ampla garagem com capacidade para oito veículos leva ao lado de fora onde há uma pequena estrutura que completava o papel de prisão particular. O sítio ainda inclui um lago de 15 hectares com condições para pouso de hidroaviões.

Ponto turístico

A história conduziu Al Capone à prisão e o lugar foi parar nas mãos da família Houston na década de 50, que transformou a afastada vila do gângster em um ponto turístico. Pagando US$ 10 era possível visitar a casa, um negócio que acabou fechando porque os donos perderam a propriedade para o Chippewa Valley Bank, devido à falta de pagamentos da hipoteca, em 2008.

Apesar da crise financeira e imobiliária, cerca de cem candidatos a compradores contataram a instituição bancária querendo adquirir a propriedade, situada a sete horas de carro de Chicago. O maior mafioso das décadas 20 e 30 do século passado, Al Capone encontrou no norte de Wisconsin o local ideal para se esconder das autoridades federais.

Apenas a 140 quilômetros ao leste da casa de campo fica atualmente um restaurante que no passado foi o hotel Little Boêmia Lodge, onde outra celebridade da malandragem, o ladrão de banco John Dillinger, passou três dias com seu bando no abril de 1934. Os desejados dias longe do tumulto acabaram em um violento episódio. O dono do hotel ligou para os agentes do FBI (polícia federal americana) delatando a presença de Dillinger, de olho na recompensa de US$ 10 mil oferecida pelas autoridades. Para frustração do delator e da polícia, o tiroteio terminou com a fuga de Dillinger e seus homens pela floresta, incluído Baby Face Nelson.

O incidente foi contado pelo diretor Michael Mann, um confesso estudioso da máfia, no filme "Public Enemies" que estreou neste ano com Johnny Depp, Christian Bala e Marion Cotillard. Mann foi até o Little Boêmia Lodge, em Wisconsin, onde ainda existem marcas de tiros, para encenar a operação do FBI para o filme.

Com a filmagem, as autoridades daquele Estado não perderam a oportunidade para utilizar o éden dos mafiosos para atrair turistas. O departamento de Turismo de Wisconsin recomenda um tour pelos lugares relacionados como dos fora da lei, desde um popular lugar de jantares de gângsteres até o hotel de férias que dizem ter sido freqüentado por Al Capone.

Nenhum comentário:

Postar um comentário